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A proteína virou estrela, o nutriente que mais ganha destaque, especialmente quando se trata de ganho muscular e perda de peso. Caso você não tenha percebido esse trend, te convido a prestar atenção nas prateleiras do mercado. Por que a proteína ganhou tanto destaque ultimamente? As indústrias de alimentos e wellness finalmente entenderam a importância da proteína? O marketing de alimentos nos ajuda a fazer boas escolhas?

Por trás dessa adoração à proteína, existe um interesse: o lucro. Sai ganhando quem vende mais. Quem paga são os que acreditam nas promessas disseminadas pela própria indústria sobre a proteína.

Os mais motivados (ou público-alvo) pelas promessas em relação à proteína são aqueles em busca do ganho muscular e da perda de peso. A proteína é certamente um dos fatores importantes, mas a indústria e o marketing unem forças para garantir o consumo diário da proteína, convenientemente embutida nos produtos alimentícios.

E assim vem o lucro para a indústria. Mas milagre a proteína não faz.

O abuso da proteína

Sozinha ela não faz milagres, mas combinada com hábitos de estilo de vida e uma dieta rica em alimentos in natura, não tem segredo. Proteína, carboidratos e gorduras são essenciais para a saúde.

Ganhos musculares e perda de peso e à parte, a proteína tem muito mais a oferecer. Mas esse outro lado da proteína é reprimido, por não ter um apelo tão “sexy”.

Muito além de ganhos musculares e da perda de peso.

Se você acredita que toda proteína vai direto para os músculos, está enganado. Os órgãos do nosso sistema digestório, as células de defesa do nosso organismo e os hormônios, para citar alguns exemplos, também precisam de proteína. 

No processo de digestão dos alimentos, as proteínas fazem o papel de enzimas. Graças às ações enzimáticas que ocorrem ao longo do nosso trato gastrointestinal, digerimos alimentos e os transformamos em energia ou outros produtos que o organismo necessita.

Quanto ao nosso sistema de defesa, o papel das proteínas é sinalizar o que deve ser combatido. Elas são os anticorpos, aqueles que nossas células de defesa produzem contra um vírus, por exemplo. Sem os anticorpos, não sobreviveríamos a vírus e infecções. 

A maioria dos nossos hormônios é feita a partir de proteínas. Hormônios são mensageiros químicos do nosso organismo que orquestram processos vitais. O hormônio da tireoide, por exemplo, controla nosso metabolismo, enquanto a insulina possibilita a utilização da glicose no sangue, essencial para a produção de energia pelas células do nosso corpo. 

Outros hormônios são feitos a partir de gorduras, como o cortisol e a testosterona.

Deu para entender que o uso da proteína vai muito além da perda de peso e dos ganhos musculares? Sexy mesmo é estar informado para escolher com intenção o que você consome.

Do que são feitas as proteínas

Todas as proteínas são feitas de aminoácidos, tanto as de origem animal quanto as vegetais. Ou seja, se o assunto é proteína, carne, arroz e feijão são feitos da mesma matéria-prima.

Lentilha, grão-de-bico, tofu, trigo, aveia, semente de girassol, amêndoas, espinafre e por aí vai a lista de plantas que também são fonte de proteína. Além de contribuir com o consumo de fibras, vitaminas e minerais, uma alimentação rica em plantas também é mais saudável para o meio ambiente, em comparação ao consumo excessivo de alimentos de origem animal.

O arroz e feijão é um prato proteico brasileiríssimo e acessível, que infelizmente não tirou tanta vantagem do sucesso da proteína.

Mais proteína não é melhor

Nosso corpo não faz um “estoque” de proteína, portanto, comer mais não é melhor. Comer mais do que o recomendado pode sobrecarregar o fígado e os rins, órgãos responsáveis pela utilização das proteínas e eliminação de subprodutos. O excesso, assim como a falta, pode causar complicações de saúde.

A quantidade diária de proteínas é algo que poderá ser recomendado somente por profissionais da saúde qualificados. Idade, peso e atividade física são fatores que devem ser avaliados. Recomendações gerais são simplificadas e não consideram a bioindividualidade de cada um.

O que comer e o quanto comer, então?

Além de proteínas, gorduras, carboidratos, vitaminas e minerais, a gente não pode deixar de olhar para o nosso prato como uma refeição composta por sabores, texturas, cores. Nossas experiências sensoriais compõem nossas memórias, e é daí que vem a nossa vontade de comer. 

É importante reconhecer onde estão as fontes de nutrientes e consumir todos os grupos alimentares. Esse conhecimento é a base para uma alimentação balanceada, além de refeições compostas por alimentos in natura.

O Guia Alimentar é um excelente recurso. Consulte aqui! Manter uma rotina e respeitar os sinais de saciedade do seu corpo também conta muito.

Bom mesmo é colocar a mão na massa e comer comida de verdade, aquela feita no fogão de casa. Nos dias de hoje, esse é um verdadeiro privilégio, diante de um estilo de vida que troca nosso tempo pela conveniência dos ultraprocessados. 

A indústria de alimentos atende à demanda do mercado e vice-versa.

Aqui eu te convido a ter mais consciência sobre a sua alimentação:

De onde veio a comida que está no meu prato?

Quem a colheu, produziu, embalou?

Minha comida mexe com quais sentidos?

No meu prato, quais grupos alimentares eu vejo?

Que memória me traz esse prato?