A proteína virou estrela, o nutriente que mais ganha destaque e atenção em todas as refeições. Caso você não tenha percebido esse trend, te convido a prestar atenção nas prateleiras do mercado. Você não se questiona o porquê da proteína ter ganhado tanto destaque ultimamente? Será que as indústrias de alimentos e wellness finalmente entenderam a importância desse nutriente e contrataram a ajuda do marketing para garantir que eu e você saíssemos ganhando com os benefícios?
Não é bem assim. Por trás dessa adoração à proteína, o interesse é no lucro. E quem paga são os que acreditam nas promessas e nos valores estrategicamente criados pela própria indústria sobre a proteína. Sai ganhando quem vende mais.
Os mais motivados (ou público-alvo?) pelas promessas e valores são aqueles em busca do corpo sarado e de resultados rápidos. Justamente porque a proteína é certamente um dos fatores importantes para essas questões, a indústria e o marketing unem forças para garantir que não deixemos de consumir nossas gramas diárias desse nutriente, convenientemente embutido nos produtos alimentícios. E assim vem o lucro para eles, mas, milagre, a proteína não faz.
O abuso da proteína
A proteína está sendo abusada! A pressão é demais e isso não é justo. Sozinha, ela não faz milagres, mas combinada com hábitos de estilo de vida e uma dieta rica em alimentos in natura, a receita não tem segredo. Tanto a proteína quanto carboidratos e gorduras também são essenciais para a saúde e merecem atenção.
Metas calóricas e ganhos musculares à parte, a proteína tem muito mais a oferecer. Mas esse outro lado da proteína é reprimido, por não ter um apelo tão sexy quanto músculos definidos e perda de peso.
O que você acha dessas chamadas?
“Fortaleça suas defesas. Afaste a gripe com poder celular” ou “Ative sua produção hormonal. Sua tireoide sente o impulso”. Continua lendo, que eu te explico!
Muito além das metas calóricas e ganhos musculares
Se você acredita que toda proteína vai direto para os músculos, está enganado. Os órgãos do nosso sistema digestório, as células de defesa do nosso organismo e os hormônios, para citar alguns exemplos, também precisam de proteína para executarem suas funções vitais.
No processo de digestão dos alimentos, as proteínas fazem o papel de enzimas. Graças às ações enzimáticas que ocorrem ao longo do nosso trato gastrointestinal, digerimos alimentos e os transformamos em energia ou outros produtos que o organismo necessita.
Quanto ao nosso sistema de defesa, o papel das proteínas é sinalizar o que deve ser eliminado. Elas são os anticorpos, aqueles que nossas células de defesa produzem contra um vírus, por exemplo. Sem os anticorpos, não sobreviveríamos a infecções.
A maioria dos nossos hormônios é feita a partir de proteínas. Hormônios são mensageiros químicos do nosso organismo que orquestram processos vitais. O hormônio da tireoide, por exemplo, controla nosso metabolismo, enquanto a insulina possibilita a utilização da glicose no sangue, essencial para a produção de energia pelas células do nosso corpo.
Outros hormônios são feitos a partir de gorduras, como o cortisol e a testosterona. Deu para entender que o uso da proteína vai muito além das calorias e dos ganhos musculares? Sexy mesmo é estar informado para escolher com intenção o que você consome.
Do que são feitas as proteínas
Todas as proteínas são feitas de aminoácidos (lembra daquela aula de biologia?), tanto as de origem animal quanto as vegetais. Ou seja, se o assunto é proteína, carne, arroz e feijão são feitos da mesma matéria-prima.
Lentilha, grão-de-bico, tofu, trigo, aveia, semente de girassol, amêndoas, espinafre e por aí vai a lista de plantas que também são fonte de proteína. Além de contribuir com o consumo de fibras, vitaminas e minerais, uma alimentação rica em plantas também é mais saudável para o meio ambiente, em comparação ao consumo excessivo de alimentos de origem animal.
O arroz e feijão é um prato proteico brasileiríssimo e acessível, que infelizmente não tirou tanta vantagem do sucesso da proteína, mas também é estrela.
Mais não é melhor
Nosso corpo não faz um “estoque” de proteína, portanto, comer mais não é melhor. Comer mais do que o recomendado pode sobrecarregar o fígado e os rins, órgãos responsáveis pela utilização das proteínas e eliminação de subprodutos. O excesso, assim como a falta, pode causar complicações de saúde.
A quantidade diária de proteínas é algo que poderá ser recomendado somente por profissionais da saúde qualificados. Idade, peso e atividade física são fatores que devem ser avaliados. Recomendações gerais são simplificadas e não consideram a bioindividualidade de cada um.
O que comer e o quanto comer, então?
Além de proteínas, gorduras, carboidratos, vitaminas e minerais, a gente não pode deixar de olhar para o nosso prato como uma refeição composta por sabores, texturas, cores. Nossas experiências sensoriais compõem nossas memórias, e é daí que vem a nossa vontade de comer.
É importante reconhecer onde estão as fontes de nutrientes e consumir todos os grupos alimentares. Esse conhecimento é a base para uma alimentação balanceada, além de refeições compostas por alimentos in natura. O Guia Alimentar é um excelente recurso. Consulte aqui! Manter uma rotina e respeitar os sinais de saciedade do seu corpo também conta muito.
Bom mesmo é colocar a mão na massa e comer comida de verdade, aquela feita no fogão de casa. Nos dias de hoje, esse é um verdadeiro privilégio, diante de um estilo de vida que troca nosso tempo pela conveniência dos ultraprocessados.
A indústria de alimentos atende à demanda do mercado e vice-versa. Aqui eu te convido a ter mais consciência sobre a sua alimentação para reavaliar suas demandas.
De onde veio a comida que está no meu prato?
Quem a colheu, produziu, embalou?
Minha comida mexe com quais sentidos?
No meu prato, quais grupos alimentares eu vejo?
Que memória me traz esse prato?


